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Causas24 de fevereiro de 2026

Alopecia Androgenética: Causas, Diagnóstico e Tratamento

Guia completo sobre alopecia androgenética — a causa mais comum de calvície. Entenda o papel da genética, DHT e opções de tratamento

Dr. Paulo Almeida

CRM-RJ 456789 | RQE 56789

O que é Alopecia Androgenética?

A alopecia androgenética (AAG) é a forma mais comum de perda de cabelo, afetando aproximadamente 50% dos homens acima de 50 anos e até 40% das mulheres ao longo da vida.[1] Também conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino, trata-se de uma condição crônica e progressiva na qual os folículos capilares sofrem miniaturização gradual sob influência de hormônios androgênicos, principalmente a di-hidrotestosterona (DHT).[2]

Embora não represente um risco à saúde física, a alopecia androgenética pode causar impacto significativo na autoestima e qualidade de vida dos pacientes.

Causas e Fatores de Risco

A AAG resulta da interação entre fatores genéticos e hormonais:

  • Predisposição genética: A herança é poligênica, envolvendo múltiplos genes. O histórico familiar de calvície — tanto do lado paterno quanto materno — aumenta consideravelmente o risco.[2]
  • Ação da DHT: A enzima 5-alfa-redutase converte a testosterona em DHT nos folículos capilares. A DHT liga-se aos receptores androgênicos, encurtando a fase anágena (crescimento) e provocando a miniaturização progressiva dos fios.[1]
  • Sensibilidade dos receptores androgênicos: Nem todos os folículos respondem da mesma forma à DHT. Os folículos das regiões frontal e do vértice são geneticamente mais sensíveis.[3]
  • Idade: A prevalência aumenta com o envelhecimento, embora possa começar já na adolescência.
  • Fatores agravantes: Estresse, tabagismo, dieta inadequada e certas condições médicas podem acelerar a progressão.

Sintomas e Sinais

Os sinais variam conforme o sexo:

Em homens:

  • Recessão da linha frontal do cabelo (entradas)
  • Afinamento progressivo na região do vértice (coroa)
  • Fios cada vez mais finos e curtos nas áreas afetadas
  • Preservação da faixa de cabelo nas regiões lateral e posterior

Em mulheres:

  • Afinamento difuso na região central do couro cabeludo
  • Alargamento progressivo da risca central
  • Linha frontal geralmente preservada
  • Raramente evolui para calvície total

Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico:

  • Exame clínico: Avaliação do padrão de rarefação, histórico familiar e idade de início.
  • Dermatoscopia (tricoscopia): Permite visualizar a variação no diâmetro dos fios, miniaturização folicular e sinais de atividade da doença.[1]
  • Pull test: Tração suave de um grupo de fios para avaliar a intensidade da queda.
  • Exames laboratoriais: Em mulheres, pode-se solicitar dosagem de hormônios (testosterona, DHEA-S, TSH, ferritina) para descartar outras causas.
  • Biópsia do couro cabeludo: Reservada para casos atípicos ou de difícil diferenciação.

Classificação e Estágios

Escala de Norwood-Hamilton (homens): Classifica a calvície masculina em 7 estágios, desde recessão mínima das entradas (tipo I) até perda extensa com apenas uma faixa de cabelo nas laterais (tipo VII).[3]

Escala de Ludwig (mulheres): Divide a alopecia feminina em 3 graus:

  • Grau I: Afinamento leve perceptível na risca central
  • Grau II: Rarefação moderada com alargamento evidente da risca
  • Grau III: Rarefação intensa com couro cabeludo visível

Tratamentos Disponíveis

O tratamento visa retardar a progressão e, quando possível, promover a recuperação parcial dos fios:

Tratamentos Tópicos

  • Minoxidil (2% e 5%): Estimula o crescimento capilar e prolonga a fase anágena. Aprovado para uso masculino e feminino. Os resultados começam a aparecer após 3 a 6 meses de uso contínuo.[1]

Tratamentos Orais

  • Finasterida (1 mg/dia): Inibidor da 5-alfa-redutase tipo II que reduz os níveis de DHT em até 70%. Indicado para homens; uso em mulheres requer cautela e acompanhamento médico.[3]
  • Dutasterida (0,5 mg/dia): Inibidor dual da 5-alfa-redutase (tipos I e II), com maior potência na redução de DHT. Uso off-label para AAG.
  • Espironolactona: Anti-androgênico utilizado em mulheres com AAG.

Procedimentos

  • Transplante capilar (FUE/FUT): Redistribuição de folículos da área doadora (resistente à DHT) para as áreas afetadas.
  • Microagulhamento: Pode potencializar a absorção do minoxidil tópico.
  • Terapia com laser de baixa intensidade (LLLT): Evidências moderadas de benefício como terapia adjuvante.
  • PRP (Plasma Rico em Plaquetas): Injeções no couro cabeludo que podem estimular os folículos.

Para mais detalhes sobre opções terapêuticas, consulte nossos artigos sobre tratamentos para queda de cabelo e medicamentos capilares.

Prevenção

Embora não seja possível prevenir completamente a AAG em indivíduos geneticamente predispostos, algumas medidas podem retardar sua progressão:

Quando Procurar um Médico

Consulte um dermatologista ou tricologista se:

  • Notar afinamento progressivo dos fios ou aumento das entradas
  • A queda de cabelo estiver causando sofrimento emocional
  • Houver queda súbita ou intensa (pode indicar outra condição)
  • Quiser iniciar tratamento medicamentoso — é fundamental o acompanhamento profissional
  • For mulher com sinais de hiperandrogenismo (acne, pelos em excesso, irregularidade menstrual)

Perguntas Frequentes

A alopecia androgenética tem cura? Não existe cura definitiva, mas os tratamentos atuais podem retardar significativamente a progressão e, em muitos casos, promover recuperação parcial dos fios.[1]

Se meu pai é calvo, eu também serei? Ter um pai calvo aumenta o risco, mas a herança é poligênica — genes de ambos os lados da família influenciam. Não é uma certeza absoluta.[2]

Minoxidil e finasterida funcionam para sempre? Os benefícios persistem enquanto o tratamento for mantido. A interrupção geralmente leva à retomada da progressão da queda em alguns meses.[3]

Mulheres podem usar finasterida? O uso em mulheres é off-label e contraindicado durante a gestação pelo risco teratogênico. Deve ser discutido caso a caso com o médico.

O transplante capilar é definitivo? Os folículos transplantados são geneticamente resistentes à DHT e tendem a permanecer, mas o tratamento clínico deve ser mantido para preservar os fios nativos restantes.

Referências

  1. Piraccini BM, Alessandrini A. Androgenetic alopecia. G Ital Dermatol Venereol. 2014;149(1):15-24.
  2. Ellis JA, Sinclair R, Harrap SB. Androgenetic alopecia: pathogenesis and potential for therapy. Expert Rev Mol Med. 2002;4(22):1-11. doi:10.1017/S1462399402005112
  3. Sinclair R. Male pattern androgenetic alopecia. BMJ. 1998;317(7162):865-869. doi:10.1136/bmj.317.7162.865

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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.