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Causas24 de fevereiro de 2026

Estresse e Queda de Cabelo: Eflúvio Telógeno Explicado

Como o estresse causa queda de cabelo, o que é eflúvio telógeno, quanto tempo dura e quando o cabelo volta a crescer

Dr. Ricardo Silva

CRM-SP 123456 | RQE 78901

O que é o Eflúvio Telógeno?

O eflúvio telógeno é uma forma comum de queda de cabelo temporária desencadeada por estresse físico ou emocional. Nessa condição, um número anormalmente grande de folículos capilares entra prematuramente na fase telógena (repouso), resultando em queda difusa e perceptível dos fios cerca de 2 a 3 meses após o evento estressor.[1]

Em condições normais, aproximadamente 85-90% dos cabelos estão na fase anágena (crescimento) e apenas 10-15% na fase telógena. No eflúvio telógeno, essa proporção se inverte parcialmente, com até 30% ou mais dos folículos entrando simultaneamente em fase de repouso e queda subsequente.[3]

Causas e Fatores de Risco

O eflúvio telógeno pode ser provocado por diversas formas de estresse:

Estresse Emocional e Psicológico

  • Luto, separação ou perda significativa
  • Ansiedade crônica e transtornos de humor
  • Pressões profissionais intensas ou burnout
  • Eventos traumáticos

Estresse Físico

  • Doenças febris agudas (incluindo infecções virais)
  • Cirurgias de grande porte
  • Hospitalização prolongada
  • Parto (ver queda pós-parto)
  • Emagrecimento rápido ou dietas restritivas
  • Deficiências nutricionais (ferro, zinco, proteína)

Medicamentos

  • Betabloqueadores, anticoagulantes, retinoides
  • Excesso de vitamina A
  • Alguns antidepressivos e anticonvulsivantes
  • Interrupção de anticoncepcionais hormonais

Doenças Crônicas

O estresse crônico atua por meio de múltiplos mecanismos: elevação do cortisol, liberação de substância P e neuropeptídios inflamatórios que afetam diretamente o ciclo folicular e podem até induzir apoptose prematura em células do folículo.[2]

Sintomas e Sinais

  • Queda difusa: Os fios caem de todo o couro cabeludo, sem áreas de calvície localizada
  • Volume na queda: Perda de 100 a 300 fios por dia (o normal é 50 a 100)
  • Fios no ralo, travesseiro e escova: Quantidade visivelmente maior do que o habitual
  • Afinamento generalizado: Menos volume capilar, couro cabeludo mais visível
  • Latência: A queda geralmente começa 2 a 3 meses após o evento desencadeante[1]
  • Preservação da linha frontal: Diferente da alopecia androgenética, não há recessão das entradas
  • Pull test positivo: Tração suave de um grupo de fios resulta em mais de 6 fios soltos

Diagnóstico

O diagnóstico do eflúvio telógeno é clínico, baseado na correlação entre a queda e o evento estressor:

  • Anamnese cuidadosa: Investigar eventos nos 2 a 6 meses anteriores ao início da queda (doenças, cirurgias, estresse emocional, mudanças de medicação, dieta).[3]
  • Pull test: Tração de aproximadamente 60 fios em diferentes regiões do couro cabeludo. Mais de 10% de fios em fase telógena sugere eflúvio.
  • Tricoscopia (dermatoscopia do couro cabeludo): Pode revelar folículos vazios e fios em rebrote, auxiliando na diferenciação com outras causas.
  • Exames laboratoriais: Hemograma, ferritina, TSH, T4 livre, vitamina D, zinco — para identificar ou excluir causas tratáveis.
  • Tricograma: Análise microscópica de fios arrancados para determinar a proporção de cabelos em fase anágena versus telógena.

Classificação e Estágios

O eflúvio telógeno pode ser classificado em:[3]

Eflúvio telógeno agudo:

  • Duração inferior a 6 meses
  • Geralmente relacionado a um evento estressor identificável
  • Prognóstico excelente — recuperação espontânea na maioria dos casos

Eflúvio telógeno crônico:

  • Queda persistente por mais de 6 meses
  • Pode apresentar flutuações na intensidade da queda
  • Mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos
  • O fator desencadeante pode ser difícil de identificar
  • Requer investigação mais aprofundada

Headington (1993) também classificou o eflúvio em cinco subtipos funcionais, baseados na fase do ciclo capilar afetada, auxiliando na compreensão do mecanismo fisiopatológico.[3]

Tratamentos Disponíveis

O pilar do tratamento é identificar e eliminar a causa:

Manejo da Causa Subjacente

  • Tratamento de doenças sistêmicas (tireoide, anemia)
  • Ajuste ou substituição de medicamentos causadores
  • Correção de deficiências nutricionais

Manejo do Estresse

  • Psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental)
  • Técnicas de relaxamento: meditação, mindfulness, yoga
  • Exercício físico regular — associado à redução do cortisol
  • Higiene do sono adequada
  • Acompanhamento psiquiátrico quando indicado

Tratamentos Capilares

  • Minoxidil tópico: Pode acelerar a recuperação, especialmente no eflúvio crônico[1]
  • Suplementação dirigida: Ferro (se ferritina baixa), vitamina D, zinco, biotina — sempre guiada por exames
  • Laser de baixa intensidade (LLLT): Evidências emergentes como terapia coadjuvante

Para mais informações sobre opções de tratamento, consulte nossos artigos sobre tratamentos para queda de cabelo.

O que evitar

  • Não usar suplementos sem orientação médica
  • Evitar dietas muito restritivas durante o episódio de queda
  • Não interromper tratamentos precocemente — a recuperação leva meses

Prevenção

  • Gerenciamento do estresse: Incorporar técnicas de relaxamento à rotina diária
  • Alimentação equilibrada: Garantir aporte adequado de ferro, zinco, vitaminas do complexo B e proteínas
  • Atividade física regular: 150 minutos por semana de exercício moderado
  • Sono de qualidade: 7 a 9 horas por noite
  • Rede de apoio: Manter vínculos sociais e buscar ajuda profissional quando necessário
  • Evitar emagrecimento radical: Perder peso de forma gradual e acompanhada por profissional

Quando Procurar um Médico

Procure um dermatologista se:

  • A queda de cabelo for intensa e persistir por mais de 3 meses
  • Houver áreas de falha completa (pode indicar alopecia areata, não eflúvio telógeno)
  • A queda vier acompanhada de outros sintomas (fadiga, ganho de peso, alterações menstruais)
  • Não conseguir identificar um fator desencadeante
  • O eflúvio telógeno durar mais de 6 meses (investigar cronicidade)
  • A queda estiver causando sofrimento psicológico significativo

Perguntas Frequentes

O cabelo volta a crescer após eflúvio telógeno? Sim, na grande maioria dos casos. O eflúvio telógeno agudo é autolimitado, e o cabelo começa a se recuperar assim que a causa é removida, embora o rebrote completo possa levar de 6 a 12 meses.[1]

Estresse por si só pode causar calvície permanente? O eflúvio telógeno induzido por estresse é tipicamente reversível. Porém, o estresse crônico pode acelerar a progressão da alopecia androgenética em indivíduos geneticamente predispostos.[2]

Quanto tempo depois do estresse o cabelo começa a cair? Geralmente entre 2 e 3 meses após o evento estressor. Esse atraso ocorre porque os folículos que entram na fase telógena levam esse período para completar o ciclo e liberar o fio.[3]

Lavar o cabelo com frequência piora a queda? Não. A lavagem apenas remove fios que já estavam na fase de desprendimento. Espaçar as lavagens pode dar a falsa impressão de queda maior quando os fios se acumulam e caem de uma vez.

Suplementos de biotina ajudam no eflúvio telógeno? A biotina só é benéfica quando há deficiência comprovada, o que é raro em pessoas com alimentação normal. Suplementação desnecessária não acelera a recuperação e pode interferir em exames laboratoriais.

Referências

  1. Harrison S, Sinclair R. Telogen effluvium. Clin Exp Dermatol. 2002;27(5):389-395. doi:10.1046/j.1365-2230.2002.01080.x
  2. Arck PC, Overall R, Spatz K, et al. Towards a "free radical theory of graying": melanocyte apoptosis in the aging human hair follicle is an indicator of oxidative stress induced tissue damage. FASEB J. 2006;20(9):1567-1569. doi:10.1096/fj.05-4039fje
  3. Headington JT. Telogen effluvium. New concepts and review. Arch Dermatol. 1993;129(3):356-363. doi:10.1001/archderm.1993.01680240096017

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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.