Queda de Cabelo Hormonal: Tireoide, Menopausa e Mais
Como desequilíbrios hormonais causam queda de cabelo — tireoide, menopausa, SOP, pós-parto e quando procurar um endocrinologista
Dra. Carolina Oliveira
CRM-RJ 654321 | RQE 10987
O que é Queda de Cabelo Hormonal?
A queda de cabelo hormonal ocorre quando desequilíbrios nos níveis de hormônios interferem no ciclo normal de crescimento capilar. Os hormônios desempenham papel fundamental na regulação dos folículos pilosos, e alterações em estrógeno, progesterona, andrógenos e hormônios tireoidianos podem desencadear queda difusa ou afinamento significativo dos fios.[1]
Essa forma de queda afeta predominantemente mulheres em diferentes fases da vida — puberdade, gravidez, pós-parto e menopausa — embora homens com distúrbios endócrinos também possam ser acometidos.[2]
Causas e Fatores de Risco
Diversos desequilíbrios hormonais podem provocar queda capilar:
Distúrbios da Tireoide
Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo afetam o ciclo capilar. Os hormônios tireoidianos (T3 e T4) são essenciais para a manutenção do folículo na fase anágena. A deficiência ou o excesso desses hormônios pode empurrar prematuramente os fios para a fase telógena, resultando em eflúvio telógeno difuso.[1]
Menopausa e Perimenopausa
A queda nos níveis de estrógeno e progesterona durante a menopausa reduz a proteção natural que esses hormônios oferecem ao folículo capilar. Com a diminuição dos hormônios femininos, a influência relativa dos andrógenos aumenta, podendo causar afinamento dos fios semelhante à alopecia androgenética feminina.[3]
Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
A SOP é marcada por hiperandrogenismo, resistência à insulina e desequilíbrios hormonais. O excesso de andrógenos pode causar afinamento dos fios no padrão feminino e, paradoxalmente, crescimento excessivo de pelos em outras regiões do corpo (hirsutismo).[2]
Pós-parto (Eflúvio Telógeno Pós-Parto)
Durante a gravidez, os altos níveis de estrógeno prolongam a fase anágena, resultando em cabelos mais cheios. Após o parto, a queda abrupta dos hormônios faz com que uma grande proporção de fios entre na fase telógena simultaneamente, causando queda intensa entre 2 e 4 meses após o nascimento.[1]
Outros Fatores
- Uso ou descontinuação de anticoncepcionais hormonais
- Distúrbios adrenais (excesso de cortisol, como na síndrome de Cushing)
- Resistência à insulina e diabetes
- Terapia de reposição hormonal (pode tanto ajudar quanto agravar)
Sintomas e Sinais
- Queda difusa por todo o couro cabeludo (diferente do padrão localizado da AAG)
- Afinamento perceptível dos fios, especialmente na linha central
- Cabelos quebradiços e com aspecto ressecado
- Alterações na textura capilar (fios mais finos e sem volume)
- Em distúrbios da tireoide: queda também das sobrancelhas (terço lateral) e pelos corporais
- No pós-parto: queda volumosa que pode alarmar, mas geralmente temporária
- Na SOP: queda associada a acne, hirsutismo e irregularidade menstrual
Diagnóstico
A investigação diagnóstica deve incluir:
- Anamnese detalhada: Histórico menstrual, gestações recentes, uso de medicamentos hormonais, sintomas associados.
- Exame clínico do couro cabeludo: Avaliar padrão de rarefação, pull test e dermatoscopia.
- Exames laboratoriais fundamentais:
- TSH, T3 e T4 livre (função tireoidiana)
- Testosterona total e livre, DHEA-S (andrógenos)
- Estradiol e progesterona
- FSH e LH (em casos de suspeita de menopausa ou SOP)
- Ferritina e hemograma (para excluir deficiências nutricionais)
- Insulina de jejum e glicemia
- Ultrassonografia pélvica: Em casos de suspeita de SOP.
Classificação por Causa Hormonal
| Condição | Hormônio Alterado | Padrão de Queda | Reversibilidade |
|---|---|---|---|
| Hipotireoidismo | T3/T4 reduzidos | Difuso | Alta (com tratamento) |
| Hipertireoidismo | T3/T4 elevados | Difuso | Alta (com tratamento) |
| Menopausa | Estrógeno reduzido | Central/difuso | Parcial |
| SOP | Andrógenos elevados | Padrão feminino | Parcial a boa |
| Pós-parto | Queda de estrógeno | Difuso | Alta (espontânea) |
Tratamentos Disponíveis
O tratamento depende da causa hormonal específica:
Distúrbios da Tireoide
- Levotiroxina para hipotireoidismo ou antitireoidianos para hipertireoidismo
- A queda geralmente estabiliza em 3 a 6 meses após normalização dos hormônios
Menopausa
- Terapia de reposição hormonal (TRH) — discutir riscos e benefícios com o médico
- Minoxidil tópico como tratamento coadjuvante[2]
- Espironolactona como anti-androgênico em casos selecionados
SOP
- Anticoncepcionais com ação anti-androgênica (ex: ciproterona, drospirenona)
- Espironolactona
- Metformina para controle da resistência à insulina
- Minoxidil como terapia adjuvante
Pós-parto
- Na maioria dos casos, a queda se resolve espontaneamente em 6 a 12 meses
- Suplementação de ferro e vitaminas se houver deficiência
- Minoxidil pode ser considerado em casos prolongados (verificar compatibilidade com amamentação)
Suporte Geral
- Controle do estresse, que pode agravar qualquer forma de queda hormonal
- Alimentação balanceada rica em proteínas, ferro e zinco
Prevenção
- Realizar check-ups hormonais regulares, especialmente em períodos de transição (pós-parto, perimenopausa)
- Não interromper ou iniciar anticoncepcionais sem orientação médica
- Manter controle adequado de condições como hipotireoidismo e SOP
- Adotar hábitos de vida saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular e manejo do estresse
- Estar atenta a sinais precoces de desequilíbrio hormonal
Quando Procurar um Médico
Procure um dermatologista ou endocrinologista se:
- A queda de cabelo for persistente (mais de 3 meses) e difusa
- Houver outros sintomas de desequilíbrio hormonal (fadiga, ganho de peso, irregularidade menstrual, acne)
- A queda pós-parto não melhorar após 12 meses
- Notar queda das sobrancelhas ou pelos corporais — pode indicar problema tireoidiano
- Quiser iniciar ou trocar anticoncepcionais e tiver preocupação com queda capilar
- A queda vier acompanhada de hirsutismo ou acne (sinais de hiperandrogenismo)
Perguntas Frequentes
A queda de cabelo por tireoide é reversível? Sim, na maioria dos casos. Com o tratamento adequado e normalização dos hormônios tireoidianos, o cabelo tende a se recuperar em 3 a 6 meses, embora o retorno ao volume anterior possa levar mais tempo.[1]
Quanto tempo dura a queda pós-parto? Geralmente começa entre 2 e 4 meses após o parto e se resolve espontaneamente em 6 a 12 meses. É um processo fisiológico normal e não deve causar preocupação excessiva.
Anticoncepcional causa queda de cabelo? Tanto o início quanto a descontinuação de anticoncepcionais hormonais podem desencadear eflúvio telógeno temporário. Anticoncepcionais com progestágenos de ação androgênica tendem a ser mais associados à queda.[2]
A menopausa sempre causa queda de cabelo? Nem sempre, mas o afinamento capilar é muito comum na menopausa. A intensidade varia conforme a predisposição genética e a sensibilidade dos folículos aos andrógenos.[3]
Posso usar minoxidil durante a amamentação? A segurança do minoxidil durante a amamentação não está completamente estabelecida. Consulte seu médico antes de iniciar qualquer tratamento nesse período.
Referências
- Grover C, Khurana A. Telogen effluvium. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2013;79(5):591-603. doi:10.4103/0378-6323.116731
- Levy LL, Emer JJ. Female pattern alopecia: current perspectives. Int J Womens Health. 2013;5:541-556. doi:10.2147/IJWH.S49337
- Riedel-Baima B, Riedel A. Female pattern hair loss may be triggered by low oestrogen to androgen ratio. Endocr Regul. 2008;42(1):13-16.
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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.