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Blog24 de fevereiro de 2026

10 Mitos sobre Queda de Cabelo Desmentidos pela Ciência

Usar boné causa calvície? Lavar demais faz cair? Desmistificamos as crenças mais comuns sobre queda de cabelo com base científica

Dra. Mariana Costa

CRM-MG 345678 | RQE 45678

Introdução

A queda de cabelo é cercada por crenças populares que se perpetuam de geração em geração. Essas informações incorretas podem levar pessoas a adotar práticas inúteis, evitar tratamentos eficazes ou simplesmente aceitar a calvície como algo inevitável e intratável. Neste artigo, analisamos os 10 mitos mais comuns sobre queda de cabelo à luz da ciência atual.

Mito 1: Usar Boné Causa Calvície

Veredicto: MITO

Essa é talvez a crença mais difundida no Brasil. A ideia é de que o boné "sufoca" os folículos ou impede a circulação sanguínea no couro cabeludo. Na realidade, os folículos capilares recebem oxigênio e nutrientes pela corrente sanguínea interna, não pelo ar externo. O boné não exerce pressão suficiente para comprometer o fluxo sanguíneo ao couro cabeludo.[1]

A única ressalva é o uso de chapéus extremamente apertados por períodos prolongados, que teoricamente poderiam causar alopecia por tração. Mas o uso comum de bonés no dia a dia não tem qualquer relação comprovada com a calvície.

Mito 2: Lavar o Cabelo Demais Causa Queda

Veredicto: MITO

Os fios que caem durante a lavagem já estavam na fase telógena (fase de desprendimento natural) e cairiam de qualquer forma. Lavar o cabelo simplesmente acelera a saída desses fios que já estavam soltos. A perda de 50 a 100 fios por dia é completamente normal.[2]

Na verdade, não lavar o cabelo com frequência adequada pode ser mais prejudicial, pois o acúmulo de sebo e resíduos pode causar inflamação no couro cabeludo e agravar condições como a dermatite seborreica.

Mito 3: A Calvície Vem Apenas pelo Lado Materno

Veredicto: MITO

Embora o gene do receptor de andrógenos esteja localizado no cromossomo X (herdado da mãe), a alopecia androgenética é uma condição poligênica. Isso significa que múltiplos genes estão envolvidos, e eles podem ser herdados de ambos os lados da família.[2][3]

Observar o padrão de calvície do avô materno pode dar uma indicação, mas não é determinante. Homens com pais calvos também têm risco significativamente aumentado, independentemente do lado materno.

Mito 4: Cortar o Cabelo Faz Ele Crescer Mais Forte

Veredicto: MITO

O corte não altera a estrutura do folículo, que é onde ocorre o crescimento. A impressão de que o cabelo ou a barba ficam mais grossos após o corte ocorre porque a ponta cortada é reta e mais espessa em comparação com a ponta natural, que é afilada. A espessura do fio é determinada geneticamente e pela ação hormonal no folículo.[1]

Mito 5: O Estresse Causa Calvície Permanente

Veredicto: PARCIALMENTE MITO

O estresse agudo ou crônico pode desencadear o eflúvio telógeno, uma condição em que uma proporção maior de folículos entra prematuramente na fase de queda. No entanto, essa forma de queda é temporária e reversível na grande maioria dos casos, com recuperação completa após a remoção do fator estressante.[3]

O estresse não causa alopecia androgenética, mas pode acelerar a progressão em pessoas geneticamente predispostas. Portanto, gerenciar o estresse é benéfico, mas não é suficiente para prevenir a calvície genética.

Mito 6: Apenas Homens Ficam Calvos

Veredicto: MITO

Embora a alopecia androgenética seja mais prevalente e visualmente mais dramática em homens, as mulheres também podem ser afetadas. Estima-se que até 40% das mulheres apresentem algum grau de perda capilar visível ao longo da vida. O padrão feminino é diferente — geralmente apresenta-se como afinamento difuso no topo, sem a recessão frontal típica dos homens.[3]

Mito 7: Produtos Naturais Podem Curar a Calvície

Veredicto: MITO

Óleo de rícino, alecrim, cebola, biotina em excesso — a lista de "curas naturais" é extensa e renovada constantemente. Embora alguns compostos naturais tenham demonstrado propriedades interessantes em estudos in vitro, nenhum produto natural teve eficácia comprovada em ensaios clínicos robustos para reverter a alopecia androgenética.[1]

Os únicos tratamentos com forte evidência científica continuam sendo a finasterida, o minoxidil e o transplante capilar. Consulte nosso guia de medicamentos aprovados para conhecer os tratamentos com respaldo científico.

Mito 8: Se Você Parar o Tratamento, a Queda Será Pior que Antes

Veredicto: MITO

Ao interromper tratamentos como finasterida ou minoxidil, os fios mantidos pelo tratamento serão gradualmente perdidos, retornando ao estágio em que a calvície estaria caso o tratamento nunca tivesse sido iniciado. Porém, não há "efeito rebote" que piore a situação além do que aconteceria naturalmente. A impressão de queda acelerada ocorre porque o contraste entre o cabelo tratado e a perda subsequente é mais perceptível.[2]

Mito 9: Gel, Cera e Outros Produtos de Modelagem Causam Queda

Veredicto: MITO

Produtos de modelagem agem na haste do cabelo (a parte visível do fio), não no folículo, que fica abaixo da superfície do couro cabeludo. Portanto, gel, cera, pomada e spray não interferem no ciclo de crescimento capilar.[1]

A única precaução é garantir a higienização adequada do couro cabeludo para remover resíduos acumulados, que podem causar irritação superficial.

Mito 10: A Calvície é Irreversível — Não Há Nada a Fazer

Veredicto: MITO

Embora a alopecia androgenética seja uma condição crônica e progressiva, existem tratamentos cientificamente comprovados que podem desacelerar, estabilizar e, em muitos casos, reverter parcialmente a perda capilar. A finasterida demonstra eficácia em aproximadamente 80-90% dos homens, e o minoxidil pode estimular o recrescimento em áreas rarefeitas.[2]

O transplante capilar oferece resultados permanentes para restauração de áreas calvas. Novas terapias, como a dutasterida e tratamentos com laser de baixa intensidade, ampliam o arsenal terapêutico disponível. Conheça todas as opções em nosso guia de tratamentos e consulte um dermatologista para um plano personalizado.

Conclusão

A desinformação sobre queda de cabelo pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento, que são fatores decisivos para o sucesso terapêutico. Ao separar mitos de fatos, você se coloca em posição de tomar decisões informadas sobre sua saúde capilar. Use a escala Norwood para identificar seu estágio e monte uma rotina capilar baseada em evidências.

Se perceber sinais de queda, procure um dermatologista. O diagnóstico precoce continua sendo a melhor estratégia.


Referências

  1. Blume-Peytavi U, Tosti A, Whiting DA, Trüeb RM, eds. Hair Growth and Disorders. Berlin: Springer; 2008.

  2. Trüeb RM. Molecular mechanisms of androgenetic alopecia. Exp Gerontol. 2002;37(8-9):981-990. doi:10.1016/S0531-5565(02)00093-1

  3. Vary JC Jr. Selected Disorders of Skin Appendages—Acne, Alopecia, Hyperhidrosis. Med Clin North Am. 2015;99(6):1195-1211. doi:10.1016/j.mcna.2015.07.003

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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.