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Medicamentos24 de fevereiro de 2026

Espironolactona: Tratamento para Alopecia Feminina

Como a espironolactona ajuda no tratamento da queda de cabelo feminina — indicações, dosagem, resultados e cuidados

Dra. Carolina Oliveira

CRM-RJ 654321 | RQE 10987

Espironolactona: Tratamento para Alopecia Feminina

A espironolactona é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da alopecia androgenética feminina. Embora seja primariamente um diurético poupador de potássio, suas propriedades antiandrogênicas a tornaram uma ferramenta valiosa no arsenal terapêutico contra a queda de cabelo em mulheres.[1]

O que é a Espironolactona

A espironolactona é um antagonista da aldosterona com potente ação antiandrogênica. Desenvolvida originalmente na década de 1950 para tratar hipertensão e edema, ela ganhou ampla utilização em dermatologia devido à sua capacidade de bloquear os efeitos dos andrógenos nos tecidos-alvo, incluindo os folículos capilares.[1]

No contexto da queda de cabelo feminina, a espironolactona é considerada uma opção de primeira linha quando a terapia hormonal é indicada, sendo frequentemente combinada com minoxidil tópico para potencializar os resultados.

Mecanismo de Ação

A espironolactona combate a alopecia feminina por múltiplos mecanismos:[2]

  1. Bloqueio dos receptores androgênicos — Compete com a DHT pela ligação nos receptores presentes nos folículos capilares, impedindo a ação androgênica local
  2. Inibição da 5-alfa-redutase — Reduz parcialmente a conversão de testosterona em DHT nos tecidos periféricos
  3. Redução da produção adrenal de andrógenos — Diminui a síntese de andrógenos pelas glândulas suprarrenais
  4. Aumento da SHBG — Eleva os níveis de globulina ligadora de hormônios sexuais, reduzindo a testosterona livre circulante

Essa ação multifacetada torna a espironolactona particularmente eficaz em mulheres com sinais de hiperandrogenismo, como acne, hirsutismo e alopecia com padrão de rarefação difusa.

Indicações

A espironolactona é indicada para:

  • Alopecia androgenética feminina (padrão Ludwig I a III)
  • Queda de cabelo associada à síndrome dos ovários policísticos (SOP)
  • Hirsutismo e acne hormonal concomitantes à alopecia
  • Mulheres que não podem usar ou não responderam adequadamente ao minoxidil isolado
  • Terapia adjuvante em combinação com minoxidil tópico ou oral

Importante: A espironolactona é exclusivamente indicada para mulheres. Em homens, os efeitos antiandrogênicos causam ginecomastia e disfunção sexual. Para calvície masculina, as opções incluem finasterida ou dutasterida.

Posologia

O esquema terapêutico habitual para alopecia feminina:[1]

  • Dose inicial: 50 mg/dia, podendo ser aumentada gradualmente
  • Dose de manutenção: 100–200 mg/dia, dividida em uma ou duas tomadas
  • Ajuste: A dose é titulada conforme a resposta clínica e tolerabilidade
  • Duração: Tratamento contínuo — a descontinuação leva à retomada da queda

Recomendações práticas:

  • Tomar com alimentos para melhorar a absorção e reduzir desconforto gástrico
  • Monitorar potássio sérico e pressão arterial periodicamente
  • Utilizar método contraceptivo confiável durante o tratamento

Resultados Esperados

Os resultados da espironolactona tendem a ser mais graduais que os de tratamentos masculinos:[1][2]

Período Resultado esperado
3 meses Redução da queda diária; possível melhora na oleosidade
6 meses Estabilização da perda capilar
9–12 meses Melhora visível na densidade e espessura dos fios
12+ meses Resultados máximos; melhora contínua discreta

Estudos demonstram que a espironolactona estabiliza ou melhora a alopecia em cerca de 70–80% das mulheres tratadas, com melhores resultados quando combinada com minoxidil tópico.[1]

Efeitos Colaterais

Os efeitos adversos estão relacionados às propriedades farmacológicas do medicamento:

Efeitos comuns:

  • Irregularidades menstruais (metrorragia, amenorreia)
  • Sensibilidade mamária
  • Fadiga e sonolência
  • Tontura (relacionada à queda de pressão arterial)

Efeitos metabólicos:

  • Hiperpotassemia (hipercalemia) — exige monitoramento laboratorial regular
  • Hiponatremia (redução do sódio sérico)
  • Desidratação leve (efeito diurético)

Efeitos menos comuns:

  • Náuseas e desconforto gástrico
  • Cefaleia
  • Alterações de humor

O risco de hiperpotassemia é particularmente relevante em pacientes com insuficiência renal ou que utilizam outros medicamentos que elevam o potássio (como inibidores da ECA ou suplementos de potássio).

Contraindicações

A espironolactona é contraindicada em:

  • Gestação e lactação — risco de feminização do feto masculino (categoria X)
  • Insuficiência renal significativa — risco elevado de hiperpotassemia
  • Hiperpotassemia preexistente
  • Doença de Addison (insuficiência adrenal)
  • Uso concomitante de outros diuréticos poupadores de potássio
  • Hipersensibilidade ao princípio ativo

Mulheres em uso de espironolactona devem obrigatoriamente utilizar contracepção eficaz durante todo o tratamento.

Disponibilidade no Brasil

A espironolactona é vendida no Brasil com receita médica simples:

Apresentação Preço médio mensal
Espironolactona genérica 25/50/100 mg R$ 15–40
Aldactone (referência) R$ 30–80
Espironolactona manipulada R$ 20–50

O uso para alopecia é considerado off-label no Brasil, mas amplamente aceito na prática dermatológica com base em décadas de evidências clínicas.

Perguntas Frequentes

A espironolactona funciona para calvície masculina?

Não. A espironolactona não é adequada para homens devido aos efeitos antiandrogênicos sistêmicos, que incluem ginecomastia e disfunção sexual. Homens devem considerar finasterida ou dutasterida.

Quanto tempo devo usar espironolactona?

O tratamento é contínuo enquanto houver benefício. A interrupção geralmente leva à retomada da queda de cabelo em meses. A decisão de descontinuar deve ser discutida com o dermatologista.[1]

Posso usar espironolactona com minoxidil?

Sim, e essa combinação é frequentemente recomendada. A espironolactona atua no componente hormonal da alopecia, enquanto o minoxidil estimula diretamente o crescimento capilar por vasodilatação e prolongamento da fase anágena.[2]

A espironolactona causa ganho de peso?

A espironolactona é um diurético, portanto tende a reduzir a retenção hídrica. Ganho de peso significativo não é um efeito colateral esperado.

Preciso fazer exames de sangue durante o uso?

Sim. É recomendado monitorar os níveis de potássio sérico e a função renal, especialmente nos primeiros meses de tratamento e após ajustes de dose.


Referências

  1. Sinclair R, Wewerinke M, Jolley D. Treatment of female pattern hair loss with oral antiandrogens. Br J Dermatol. 2005;152(3):466-473. doi:10.1111/j.1365-2133.2005.06218.x

  2. Brough KR, Torgerson RR. Hormonal therapy in female pattern hair loss. Int J Womens Dermatol. 2017;3(1):53-57. doi:10.1016/j.ijwd.2017.01.001

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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.