Espironolactona: Tratamento para Alopecia Feminina
Como a espironolactona ajuda no tratamento da queda de cabelo feminina — indicações, dosagem, resultados e cuidados
Dra. Carolina Oliveira
CRM-RJ 654321 | RQE 10987
Espironolactona: Tratamento para Alopecia Feminina
A espironolactona é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da alopecia androgenética feminina. Embora seja primariamente um diurético poupador de potássio, suas propriedades antiandrogênicas a tornaram uma ferramenta valiosa no arsenal terapêutico contra a queda de cabelo em mulheres.[1]
O que é a Espironolactona
A espironolactona é um antagonista da aldosterona com potente ação antiandrogênica. Desenvolvida originalmente na década de 1950 para tratar hipertensão e edema, ela ganhou ampla utilização em dermatologia devido à sua capacidade de bloquear os efeitos dos andrógenos nos tecidos-alvo, incluindo os folículos capilares.[1]
No contexto da queda de cabelo feminina, a espironolactona é considerada uma opção de primeira linha quando a terapia hormonal é indicada, sendo frequentemente combinada com minoxidil tópico para potencializar os resultados.
Mecanismo de Ação
A espironolactona combate a alopecia feminina por múltiplos mecanismos:[2]
- Bloqueio dos receptores androgênicos — Compete com a DHT pela ligação nos receptores presentes nos folículos capilares, impedindo a ação androgênica local
- Inibição da 5-alfa-redutase — Reduz parcialmente a conversão de testosterona em DHT nos tecidos periféricos
- Redução da produção adrenal de andrógenos — Diminui a síntese de andrógenos pelas glândulas suprarrenais
- Aumento da SHBG — Eleva os níveis de globulina ligadora de hormônios sexuais, reduzindo a testosterona livre circulante
Essa ação multifacetada torna a espironolactona particularmente eficaz em mulheres com sinais de hiperandrogenismo, como acne, hirsutismo e alopecia com padrão de rarefação difusa.
Indicações
A espironolactona é indicada para:
- Alopecia androgenética feminina (padrão Ludwig I a III)
- Queda de cabelo associada à síndrome dos ovários policísticos (SOP)
- Hirsutismo e acne hormonal concomitantes à alopecia
- Mulheres que não podem usar ou não responderam adequadamente ao minoxidil isolado
- Terapia adjuvante em combinação com minoxidil tópico ou oral
Importante: A espironolactona é exclusivamente indicada para mulheres. Em homens, os efeitos antiandrogênicos causam ginecomastia e disfunção sexual. Para calvície masculina, as opções incluem finasterida ou dutasterida.
Posologia
O esquema terapêutico habitual para alopecia feminina:[1]
- Dose inicial: 50 mg/dia, podendo ser aumentada gradualmente
- Dose de manutenção: 100–200 mg/dia, dividida em uma ou duas tomadas
- Ajuste: A dose é titulada conforme a resposta clínica e tolerabilidade
- Duração: Tratamento contínuo — a descontinuação leva à retomada da queda
Recomendações práticas:
- Tomar com alimentos para melhorar a absorção e reduzir desconforto gástrico
- Monitorar potássio sérico e pressão arterial periodicamente
- Utilizar método contraceptivo confiável durante o tratamento
Resultados Esperados
Os resultados da espironolactona tendem a ser mais graduais que os de tratamentos masculinos:[1][2]
| Período | Resultado esperado |
|---|---|
| 3 meses | Redução da queda diária; possível melhora na oleosidade |
| 6 meses | Estabilização da perda capilar |
| 9–12 meses | Melhora visível na densidade e espessura dos fios |
| 12+ meses | Resultados máximos; melhora contínua discreta |
Estudos demonstram que a espironolactona estabiliza ou melhora a alopecia em cerca de 70–80% das mulheres tratadas, com melhores resultados quando combinada com minoxidil tópico.[1]
Efeitos Colaterais
Os efeitos adversos estão relacionados às propriedades farmacológicas do medicamento:
Efeitos comuns:
- Irregularidades menstruais (metrorragia, amenorreia)
- Sensibilidade mamária
- Fadiga e sonolência
- Tontura (relacionada à queda de pressão arterial)
Efeitos metabólicos:
- Hiperpotassemia (hipercalemia) — exige monitoramento laboratorial regular
- Hiponatremia (redução do sódio sérico)
- Desidratação leve (efeito diurético)
Efeitos menos comuns:
- Náuseas e desconforto gástrico
- Cefaleia
- Alterações de humor
O risco de hiperpotassemia é particularmente relevante em pacientes com insuficiência renal ou que utilizam outros medicamentos que elevam o potássio (como inibidores da ECA ou suplementos de potássio).
Contraindicações
A espironolactona é contraindicada em:
- Gestação e lactação — risco de feminização do feto masculino (categoria X)
- Insuficiência renal significativa — risco elevado de hiperpotassemia
- Hiperpotassemia preexistente
- Doença de Addison (insuficiência adrenal)
- Uso concomitante de outros diuréticos poupadores de potássio
- Hipersensibilidade ao princípio ativo
Mulheres em uso de espironolactona devem obrigatoriamente utilizar contracepção eficaz durante todo o tratamento.
Disponibilidade no Brasil
A espironolactona é vendida no Brasil com receita médica simples:
| Apresentação | Preço médio mensal |
|---|---|
| Espironolactona genérica 25/50/100 mg | R$ 15–40 |
| Aldactone (referência) | R$ 30–80 |
| Espironolactona manipulada | R$ 20–50 |
O uso para alopecia é considerado off-label no Brasil, mas amplamente aceito na prática dermatológica com base em décadas de evidências clínicas.
Perguntas Frequentes
A espironolactona funciona para calvície masculina?
Não. A espironolactona não é adequada para homens devido aos efeitos antiandrogênicos sistêmicos, que incluem ginecomastia e disfunção sexual. Homens devem considerar finasterida ou dutasterida.
Quanto tempo devo usar espironolactona?
O tratamento é contínuo enquanto houver benefício. A interrupção geralmente leva à retomada da queda de cabelo em meses. A decisão de descontinuar deve ser discutida com o dermatologista.[1]
Posso usar espironolactona com minoxidil?
Sim, e essa combinação é frequentemente recomendada. A espironolactona atua no componente hormonal da alopecia, enquanto o minoxidil estimula diretamente o crescimento capilar por vasodilatação e prolongamento da fase anágena.[2]
A espironolactona causa ganho de peso?
A espironolactona é um diurético, portanto tende a reduzir a retenção hídrica. Ganho de peso significativo não é um efeito colateral esperado.
Preciso fazer exames de sangue durante o uso?
Sim. É recomendado monitorar os níveis de potássio sérico e a função renal, especialmente nos primeiros meses de tratamento e após ajustes de dose.
Referências
Sinclair R, Wewerinke M, Jolley D. Treatment of female pattern hair loss with oral antiandrogens. Br J Dermatol. 2005;152(3):466-473. doi:10.1111/j.1365-2133.2005.06218.x
Brough KR, Torgerson RR. Hormonal therapy in female pattern hair loss. Int J Womens Dermatol. 2017;3(1):53-57. doi:10.1016/j.ijwd.2017.01.001
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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.